Um chevalier em vestidos exuberantes

Retrato do Chevalier d’Eon transvestido por Thomas Stewart, de 1792, até recentemente considerada uma pintura de uma mulher por Gilbert Stuart

Retrato do Chevalier d’Eon transvestido por Thomas Stewart, de 1792, até recentemente considerada uma pintura de uma mulher por Gilbert Stuart

Uma corpulenta senhora contempla enigmaticamente o espaço para além despectador da tela em vestes negras e um extravagante chapéu com penas... A subtil sombra com barba no rosto, porém, mostra que nem tudo é aquilo que parece. No retrato, adquirido pela National Portrait Gallery de Londres por £45,600, está representado o chevalier Charles d’Eon de Beaumont, celebrado espião francês, diplomata, campeão de esgrima e cross-dresser.

Acreditamos firmemente que este retrato do chevalier d’Eon é o primeiro óleo de um travesti masculino, pelo menos em Inglaterraafirma Lucy Peltz, curador dos retratos do século XVIII da galeria. A pintura de 76,2 cm por 63,5 cm foi descoberta em Novembro/2013 num salão de vendas em Nova Iorque pelo negociante de arte Philip Mould, chamando-lhe a atenção a figura de fisionomia pronunciadamente masculina […] num vestido e com uma peruca femininaquase uma afronta ao retrato mais lisonjeiro realizado na altura.”

Além de um importante registo histórico inglês, o retrato é um dos pouquíssimos representantes da comunidade LGBT. Todas as imagens da galeria relacionadas a este tema, até então, datavam do século XX. Originalmente atribuída ao pintor americano Gilbert Stuart, autor do famoso retrato de George Washington, descobriu-se uma assinatura na pintura após limpeza, do britânico Thomas Stewart, de 1792. A peça, de acordo com Mould estava desaparecida desde 1926.

Pintado no auge da Revolução Francesa, o retrato reflete a ambivalência quintessencial de d’Eon: vestido nos trajes de esgrima, ostenta sua condecoração da Croix de Saint Louis, concedida por D. Luis XV, juntamente com um cocar revolucionário em seu chapéu.

O Homem por trás da Mulher

Oriundo dnobreza francesa, d’Eon cujo nome levou à criação do termo psiquiátrico “eonismopara definir o travestismo masculino foi mandado para Londres em 1762 para negociar uma trégua para a Guerra dos Sete Anos entre França e Inglaterra, sob ordens secretas de D. Luis XV. Uma das suas funções era investigar possíveis rotas de invasão.

Resistindo às ordens para retornar, teve uma pequena discussão pública com o embaixador francês (a quem d`Eon acusou de tentar matar-lhe) e chantageou a coroa francesa com ameaças de vender segredos de Estado para a Inglaterra. Com isso, D’Eon teria selado um curioso acordo com a França, no qual as suas despesas eram pagas sob a condição de permissão para adotar indumentária feminina. Após um período em casa, retornou para terras britânicas em 1785 como mulher, onde foi festejado pela sociedade elegante e fez dinheiro através de demosntrações de esgrima até sua morte em 1810.

Autores feministas do período aclamaram d’Eon como uma inspiração para as mulheres, mas nem toda a gente ficou convencida. Apostas frenéticas acerca do seu género levou à criação de uma lei proibindo apostas sobre o sexo de uma pessoa para proteção de sua a dignidade. Uma autópsia após sua morte apagou todas as dúvidas, no entanto, provando que d’Eon era anatomicamente um homem.

fonte: ARTnews

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